BRT Radial Leste: prefeitura fecha contratos dos lotes 2 e 3 e garante R$ 386 milhões
São Paulo formaliza contratos de R$ 291 milhões para dois trechos do BRT Radial Leste, com financiamento federal; prazo do primeiro trecho ainda oscila.
A Prefeitura de São Paulo formalizou, no fim de julho de 2026, os contratos das obras dos lotes 2 e 3 do BRT Radial Leste, o primeiro sistema de ônibus de trânsito rápido da capital. Somados, os dois contratos chegam a cerca de R$ 291,3 milhões, já com aditivos de atualização de valores publicados em 31 de julho. Semanas antes, em 6 de julho, o município havia assinado com a Caixa Econômica Federal um financiamento de R$ 386 milhões para a primeira fase do empreendimento.
Com os contratos e o dinheiro federal assegurados, o projeto entra em sua fase mais extensa de obras. O que ainda não está claro é quando os passageiros poderão usar o primeiro trecho: as datas divulgadas pela própria prefeitura variam entre setembro e dezembro.
O que é o BRT Radial Leste
O BRT vai ocupar um eixo de 9,8 km entre o Terminal Parque Dom Pedro II, no Centro, e a região da Penha, na Zona Leste, ao longo da Avenida Alcântara Machado (Radial Leste). O projeto prevê 12 estações de embarque e desembarque e demanda estimada de 400 mil passageiros por dia. A promessa da prefeitura é reduzir em até 50% o tempo de viagem entre o Centro e a Zona Leste.
Diferentemente de um corredor de ônibus convencional, o BRT terá faixas exclusivas à esquerda com pavimento rígido de concreto, faixas de ultrapassagem junto às estações, estações com informação em tempo real, semáforos inteligentes, ciclovia monitorada e enterramento de redes elétricas e de telecomunicações no trecho.
Três lotes, três trechos
A obra foi dividida em três lotes:
- Lote 1: do Terminal Parque Dom Pedro II até a Rua Almirante Brasil, na Mooca;
- Lote 2: da Rua Almirante Brasil até a Rua Armando Gardenghi;
- Lote 3: da Rua Armando Gardenghi até a Rua Professor Miguel Russiano.
O lote 2 ficou com o consórcio formado por Tríade Pavimentação, ERA Técnica Engenharia e Almeida Sapata Engenharia. O contrato, inicialmente de R$ 141,7 milhões, foi atualizado para R$ 155,9 milhões. O lote 3 coube ao consórcio de Souza Compec Engenharia, Arvek Técnica e Construtora Etama, por R$ 135,3 milhões. Ambos têm prazo de execução de 18 meses. Segundo o extrato publicado, os aditivos tratam de atualização de valores e adequação financeira, sem alterar escopo, traçado ou prazos.
Financiamento federal
O financiamento de R$ 386 milhões foi formalizado em 6 de julho com a Caixa, tendo o Banco do Brasil como agente interveniente, e é destinado à primeira fase do BRT. Na ocasião, o prefeito Ricardo Nunes mencionou a futura conexão do sistema com o BRT Aricanduva e com a Linha 2-Verde do Metrô.
Afinal, quando abre o primeiro trecho?
O cronograma do BRT já mudou várias vezes. Quando as obras começaram, em novembro de 2024, a prefeitura falava em entrega até fevereiro de 2026; depois, o primeiro trecho chegou a ser prometido para maio e para agosto deste ano.
Em 21 de junho, durante a entrega de 500 ônibus elétricos, Nunes afirmou: “a gente entrega a etapa 1 ainda agora até setembro”. Duas semanas antes, porém, a SPObras informou à Gazeta do Tatuapé que a meta para concluir o lote 1 é dezembro de 2026. No começo de agosto, reportagem do Via Trólebus também apontou dezembro como previsão para o trecho entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Rua Almirante Brasil.
Os números de avanço informados pela SPObras em junho ajudam a entender o estágio da obra no lote 1: 75% do pavimento de concreto das faixas exclusivas e 80% do pavimento flexível (2,3 km) estavam executados; as fundações das estações Figueira e Mendes Sá estavam concluídas, assim como a drenagem; e as redes de iluminação pública já haviam sido instaladas, enquanto seguia o trabalho na rede elétrica.
O que muda para o passageiro
Por enquanto, o BRT não tem data confirmada para começar a operar, e as linhas que usam a Radial Leste seguem a programação divulgada pela SPTrans.
O que o passageiro deve observar nos próximos meses:
- Interdições parciais: as obras dos lotes 2 e 3 e a finalização do lote 1 devem continuar provocando bloqueios de faixas na Avenida Alcântara Machado. Em junho, a interdição parcial da faixa central no sentido Centro gerou congestionamentos. Reserve mais tempo para a viagem nos horários de pico.
- Mudanças de ponto e itinerário: a abertura do primeiro trecho pode vir acompanhada de ajustes nas linhas que hoje trafegam pela Radial. Acompanhe os informativos da SPTrans e confira o quadro de horários da sua linha — veja como ler um quadro de horários.
- Integração: o projeto prevê conexões diretas com as estações Belém, Tatuapé e Carrão do Metrô e da CPTM, além da futura ligação com o BRT Aricanduva. O guia integração e baldeação: como planejar explica como aproveitar a janela de integração.
Fontes
Leia também
Metrô de SP libera cartão por aproximação em todas as catracas, mas sem integração
SPTrans cria linhas nas zonas Norte e Noroeste, uma delas só com vans elétricas
São Paulo recebe 500 ônibus elétricos e frota eletrificada chega a 1.759 veículos
Procurando o horário de uma linha?
Use a busca no topo da página ou veja todas as linhas de São Paulo, SP. Também dá para escolher a cidade na lista completa.