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Porto Alegre perde as lotações Menino Deus e Jardim Vila Nova; veja as linhas de ônibus alternativas

Lotações Menino Deus e Jardim Vila Nova pararam em 15 de agosto por falta de passageiros. EPTC indica as linhas 149.3, 195, 262 e R1 como alternativa.

Duas linhas de lotação de Porto Alegre deixaram de circular a partir do sábado, 15 de agosto de 2026: a Menino Deus e a Jardim Vila Nova. A última viagem das duas foi feita na sexta-feira, 14, no terminal da Avenida Senador Salgado Filho, no Centro Histórico. O encerramento partiu dos próprios permissionários, que comunicaram à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) que as linhas perderam passageiros e deixaram de ser financeiramente viáveis.

Com a saída das duas, o sistema de lotações da capital gaúcha fica reduzido a 15 linhas ativas. Para quem dependia delas, a prefeitura aponta quatro linhas de ônibus como alternativa nos mesmos trajetos.

Por que as linhas pararam

Diferentemente do ônibus, que tem parte do custo coberta por recursos públicos, a lotação em Porto Alegre se sustenta apenas com o que o passageiro paga na tarifa. De acordo com dados da prefeitura divulgados na reportagem do Diário Gaúcho, a Menino Deus transportava em média 500 pessoas por dia útil, e a Jardim Vila Nova, cerca de 600.

A Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação (ATL-POA) atribui a queda à concorrência dos aplicativos de transporte, sobretudo em trajetos curtos e médios, agravada depois da pandemia pelo trabalho remoto. Em entrevista ao Correio do Povo, a tesoureira da entidade, Natália Brusch, afirmou que a receita deixou de cobrir os custos da operação e que, sem mudanças estruturais, outras linhas podem seguir o mesmo caminho.

O reajuste concedido neste ano não bastou para reverter o quadro. Desde 27 de abril, a passagem da lotação custa R$ 9, ante R$ 8 anteriormente, uma alta de 12,5% autorizada por decreto municipal. Segundo a ATL, o aumento apenas compensou parte do déficit provocado pela alta do combustível.

EPTC e SMMU disseram lamentar o fim do serviço, mas lembraram que a legislação em vigor não permite ao poder público obrigar os permissionários a continuar operando.

Um sistema que encolhe há uma década

As lotações, operadas com micro-ônibus por permissionários, fazem parte do transporte da cidade há décadas, mas o número de usuários caiu de forma contínua. Pelos dados do município, o sistema transportou 20,4 milhões de passageiros em 2014, 10,8 milhões em 2019, 5 milhões em 2023 e cerca de 4 milhões em 2025.

As 15 linhas que continuam em operação são: 10.3 Cristal-Otto, 10.4 Ipanema, 10.5 Guarujá-Ponta Grossa, 10.6 Restinga, 10.61 Restinga Nova, 10.63 Restinga-Glória, 10.7 Belém Novo, 10.71 Belém Novo-Chapéu do Sol, 20.2 Otto Teresópolis-Campo Novo, 30.2 Partenon-Pinheiro, 40.4 Petrópolis-FAPA, 50.1 Auxiliadora, 50.2 IAPI, 60.5 Jardim Dona Leopoldina e 60.52 Jardim Dona Leopoldina-Cristóvão Colombo.

Para tentar reorganizar o setor, a prefeitura criou um serviço experimental de transporte coletivo complementar, em que os permissionários se reúnem em consórcios e seguem tabela horária definida pelo município, com a mesma tarifa da lotação. Segundo o Correio do Povo, um consórcio já funciona desde o primeiro semestre, e outros dois estão em fase final de formatação para as zonas Norte e Sul. A adesão dos permissionários é voluntária.

Ônibus absorvem a demanda, diz a EPTC

A avaliação da EPTC e da SMMU é de que as linhas de ônibus que já passam pelos mesmos corredores têm capacidade para receber os passageiros das duas lotações. O órgão também anunciou que faria um estudo técnico, com base na demanda média das linhas extintas e na oferta atual de ônibus, para decidir se é necessário reforçar viagens nessas regiões.

As alternativas indicadas pela prefeitura são:

  • 149.3 – Icaraí/Menino Deus, para quem usava a lotação Menino Deus;
  • 195 – TV;
  • 262 – Jardim Vila Nova;
  • R1 – Rápida Jardim Vila Nova, para quem usava a lotação Jardim Vila Nova.

Segundo o município, nesses trechos o ônibus tende a fazer o percurso em menos tempo que a lotação, porque usa corredores e faixas exclusivas. Passageiros ouvidos pela reportagem do Diário Gaúcho, por outro lado, citaram a lotação como opção para fugir dos ônibus cheios nos horários de pico.

O que muda para o passageiro

Desde 15 de agosto não há mais lotação nas linhas Menino Deus e Jardim Vila Nova. Quem fazia esses trajetos precisa migrar para o ônibus, cuja passagem em Porto Alegre custa R$ 5,30 em 2026, abaixo dos R$ 9 cobrados na lotação.

Antes de sair, vale consultar os horários das linhas 149.3, 195, 262 e R1 e comparar o intervalo entre as viagens em dias úteis, sábados e domingos, que costuma ser diferente. As tabelas oficiais estão no site da EPTC e no aplicativo 156+POA, e a posição dos ônibus em tempo real pode ser acompanhada pelo aplicativo TRI GPS. Se precisar trocar de ônibus no caminho, confira as regras de integração do Cartão TRI e o guia Integração e baldeação: como planejar.

Caso a EPTC conclua que é preciso reforçar alguma dessas linhas, as mudanças costumam ser publicadas como alteração de tabela horária. Se o ônibus não aparecer no horário previsto, o guia Ônibus não passou no horário: o que fazer explica como registrar a reclamação.

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